Fico pensando em como as pessoas são arrogantes quanto a sua condição de seres humanos. Pensamos que as leis do universo vão servir aos nossos propósitos, ao nosso bel prazer, simplesmente porque achamos que estamos acima do acaso.
Nós ficamos tão abismados com a complexidade das nossas conexões sinápticas, nossa capacidade de aprendizado, nossa memória, nossa criatividade a ponto de simplesmente não podermos aceitar que nossa existência não tenha um sentido - é inadmissível pensar que somos uma tribo de macacos jogados à própria sorte em um universo infinito e insensível às nossas preces e vontades. Pensar que não há propósito na vida é desesperador.
Fora o sentimento de solidão, que em alguns de nós faz apelar para toda a sorte de crenças que possam amenizar a sensação de estar sozinho em um universo infinito. Deuses, fadas e extraterrestres... todos estes nos vêm como contos gerados por uma mente infantil, fértil e desesperada, que espera seus pais celestiais retornarem para lhe trazer sossego.
Mas, todos esses que perdem tempo pensando em quanto somos especiais e quanto somos diferentes (e melhores) que outros tantos organismos deveriam pensar no quanto nós somos tão especiais e similares a outros organismos. Deveriam pensar nas nossas humildes origens a milhares de milhões de anos atrás, deveríamos pensar em como a vida humana é frágil e em como as bactérias, as plantas, os fungos, os artrópodes, os dinossauros e as aves já foram os grandes donos da terra - agora apenas está sendo nossa vez. Deveríamos, todos nós, pensar no quanto a nossa vida é efêmera demais para se desperdiçar tempo com esse tipo de arrogância.
E no final, não somos o centro do universo. Perceber isso é terrível na expectativa de algumas pessoas, mas para mim, abre-se uma visão linda e poética do nosso lugar no cosmos: nós estamos dentro do universo, somos parte dele e dividimos os átomos que constroem nosso corpo com os astros que cercam o nosso planeta. Não há forma de se sentir solitário ou sem sentido pensando assim. Não há sensação de abandono paternal ou de injustiça cósmica quando abraçamos o universo pelo que ele realmente é.
Não há solidão ou arrogância quando entendemos que fazemos parte de um todo, ou melhor, do tudo.
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