sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Astrologia funciona?

 Em minha vivência é comum ver atualmente uma grande influência da astrologia (junto com outras pseudociências que deixarei para outro post) na vida das pessoas, não é incomum em qualquer que seja o ambiente se ouvir que alguém "é de aquário" ou tem um "ascendente em serpentário" (ou que elevou seu cosmo ao sétimo sentido...).
 Porém, nunca me questionei a debater de forma racional em qual é a influência dos astros em nossas vidas e, por início, tentar compreender se de fato há influência real dos astros na minha vida?


domingo, 14 de setembro de 2014

Como mudar o mundo?


(e porque é tão difícil tentar?)

 Ultimamente tenho pensado muito em porque é tão frustrante tentar mudar alguma coisa da realidade aonde vivemos. Mas comecei um processo de mudança desde meu retorno a casa dos meus pais para passar umas "férias" e organizar as ideias. Eu cheguei a algumas conclusões que vou descrever nesse texto - não quero que pensem que eu sou um tipo de profeta ou coisa parecida, abomino a doutrinação e por isso eu pensei muito em como transformar a mudança da realidade um processo de cada um (e no ritmo de cada um):

 Todos nós queremos em algum ponto da vida modificar para melhor a realidade em que vivemos, mas todos nós morremos na praia quando pensamos que somos pequenos demais para abraçar o mundo. Mas esquecemos que a mudança é um processo que deve começar na unidade mais importa e mais individual: a sua mente.
 No campo das idéias tudo é possível, mas a realidade coloca a barreira do improvável. O monte improvável é alto e íngreme para ser escalado de uma vez, mas pode ser vencido um passo atrás do outro, dia após dia trabalhando duro. Por exemplo: muitas pessoas são contra a exploração dos recursos naturais e tem medo de que em algum dia, isso venha custar a vida de toda a espécie humano e outras muitas espécies.


 Eu tenho na minha carteira dinheiro para terminar a semana sem passar fome, um par de tênis surrados e um computador caindo de velho. Eu quero mudar muitas coisas no mundo, mas o desmatamento é uma das coisas que me deixam mais cabreiro.

 Eu decido que quero terminar de uma vez por todas com o desmatamento e que vou para a amazônia fazer isso, convencendo os madeireiros um-a-um de que o que estão fazendo é errado. Depois disso, vou para brasília pedir uma reunião com a presidenta e o secretário de meio ambiente, bater na mesa e perguntar que merda está acontecendo na cabeça dos dois.


 Qual a chance dessa tentativa de capitão planeta funcionar? Muito próximo de zero, quase inexistente.


 Mas eu posso começar pequeno.

 O primeiro passo é se educar: aprender como eu funciono e o que me faz bem ou mau, preciso aprender sobre o passado para entender o presente, preciso entender o que eu sou, porque sou e como funciono para poder me mudar. Posso parar de comer carne ou comer menos carne, posso não comprar de empresas que fomentam o desmatamento ou o sofrimento animal, posso plantar meu alimento e evitar hábitos que vão destruir minha saúde - o amor pelo mundo tem que começar em você - tenho que me conhecer e entender minhas limitações individuais e saber que existem pessoas para desacreditar, existem os vícios, a fraqueza humana e as recaídas. A ignorância anda de mãos dadas com o preconceito, o medo e a mudança para pior que é causada pela apatia.
 O racismo, machismo e homofobia são outros grandes exemplos disso (talvez os melhores): achamos que esses problemas são como um grande monstro que paira a sociedade quando na verdade está mais para um câncer que cresce dentro de cada um. Se eu me educar e entender o que está errado nos meus atos eu me torno capaz de mudar minhas expressões, minhas ações. Se todos que puderem fazer seu dever de casa, ler um pouco sobre o assunto sem medo e mudar seu âmbito individual o fizerem, não quer dizer uma mudança social significativa?
 Não podemos ter medo de questionar nós mesmos. Temos que aprender a admitir erros, temos que aprender a parar de procurar descanso na sombra de deuses ou ídolos de ouro: devemos ser nossos próprios portos seguros. A
 partir do momento em que você se torna exemplo das suas convicções, isso é mais forte que qualquer argumento que sairá da boca de um algoz.
 A preguiça é um inimigo formidável, as podemos contorná-la e vencê-la aos poucos transformando atos pequenos em hábitos diários. Votar é um exemplo: o que quer dizer despender duas horas do meu dia que eu estaria coçando meu escroto assistindo os debates ou analisando propostas e pesquisando sobre o passado? Devemos cultivar os hábitos positivos e podar os negativos, sem se cobrar demais mas sem usar nossos impedimentos individuais como desculpa para parar. Com uma mente afiada e conhecimento de causa, é mais fácil votar em alguém que vá evitar que as matas sejam derrubadas um campo a dia. E não me joguem esse papo furado de que nenhum partido/político presta, você está gritando com todo o ar dos pulmões que desistiu porque as chances são muito pequenas e você sabe que o mínimo de esforço individual vai te fazer mudar de opinião e o seu medo de largar o comodismo não lhe permite isso.

 Já é um grande passo e poucos conseguem fazê-lo, mas viu como não é tão difícil escalar o monte improvável? Basta ter o equipamento e a técnica certa.
 Depois disso, não é difícil abraçar seu amigo mais próximo, lhe servir de apoio e conselheiro. É de fato mais difícil mudar quando os que estão ao seu redor vão contra você, por isso também não é uma coisa muito legal ser a pedra no sapato das pessoas que tentam mudar alguma coisa - como aquele seu sobrinho mais novo que vai votar em um político x que você sabe não ter tanta bala na agulha e isso irá fazer sua vitória muito improvável, ou aquele amigo que participa da parada gay mesmo sendo hétero. Pessoas que já vislumbraram como se sobe o monte improvável de fato são aquelas que estendem a mão, não aquelas que empurram os outros escaladores morro abaixo.
 Uma pessoa abraça duas, duas abraçam quatro, quatro abraçam dez, vinte e por aí vai.

O monte improvável é muito alto, íngreme e cheio de pedras. É difícil vislumbrar um passo quando se vê tantos subindo tanto e caindo, mas não é questão do quão longe você pode chegar em menos tempo: é tentar chegar o quanto você puder dentro do seu tempo e cada passo vai se tornar mais fácil e o topo cada vez menos nebuloso e distante.

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sábado, 6 de setembro de 2014

Uma caixa cheia de truques

(e a síndrome de carência de sobrenaturalidade)

 Certa vez vi uma palestra¹ sobre consciência humana feita pelo Dan Dannett (que recomendo muito, inclusive) em que ele resume muito bem um dos maiores problemas da mente humana ao tentar entender os fenômenos naturais que podemos observar: quando pensamos em mágica "de verdade" não pensamos na série de truques e artimanhas que o mágico usa para enganar o público - fazendo com que aquilo que pode ser explicado de forma racional através de observação (para algumas pessoas, perdendo seu encanto) não seja tomado como mágica "de verdade". É meio frustrante para algumas pessoas, mas é pouco provável que exista algum outro tipo de mágica que não seja o ilusionismo, a arte de fazer truques parecerem ter origem sobrenaturais, enganando o público.
 Isso me faz pensar em como nós tratamos nossa mente e consciência como algo sobrenatural, algo de complexidade e beleza irredutível, nos negando a admitir que isso pode ser explicado "somente" pela mera composição celular do nosso cérebro e a forma como suas células interagem quimicamente.
 Olhando de forma mais abrangente, parece uma característica humana evitar a racionalidade ao explicar fenômenos naturais observados: nossos ancestrais olhavam os raios e trovões e atribuíam a figuras divinas, conheceram e dominaram o fogo e o antropomorfizaram. Se observamos o desenvolver das sociedades e como a ciência começa a explicar de onde surgem esses eventos, as religiões e explicações se modificam, mudam-se os deuses e mudam-se as crenças para preencher as lacunas que se formam naturalmente pela ignorância. Mais recentemente podemos perceber que as religiões tem se ocupado mais em explicar questões de alçada mais existencial: de onde viemos? Para onde vamos? Qual nossa função no universo?
 Porém, eu temo que mesmo que muito tempo (humanamente falando) tenha passado desde que o primeiro humano atribuiu a ação de um ser sobrenatural a um evento natural, mal saímos das cavernas quando se trata de preencher as falhas geradas pela ignorância usando explicações irracionais e infundadas. Ao que parece, a ignorância do passado foi substituída pela arrogância e o medo de admitir a ignorância conforme a cada dia descobrimos mais intimamente nossas relações com o universo - e de fato, é assustador pensar que somos apenas amontoados organizados de matéria sem propósito. Talvez, está na hora como espécie de amadurecermos ao encarar a verdade no que observamos, deixar de tentar ver fadas e gnomos para pensar que um jardim é belo.

 Quanto tempo mais vamos ouvir os trovões e pensar no nosso íntimo que são os deuses lutando? Quanto tempo mais vamos ouvir o vento correr por entre os galhos das árvores e pensar no canto das ninfas e na flauta dos sátiros?

Quanto tempo mais vamos ver as milhares de evidências e tentar colocar misticismo em suas brechas?

¹ https://www.youtube.com/watch?v=fjbWr3ODbAo

domingo, 31 de agosto de 2014

Do the Evolution


"Paleoceno - 65 milhões de anos atrás aonde se encontra o atual estado do Wyoming.

 A manhã é quente, os mosquitos voam por toda a floresta. A noite fria obrigou o pequeno casal de Purgatorius unio se abrigar enquanto estavam caçando insetos no espaço formado entre as raízes de uma árvore e uma pedra coberta de musgo - se mantiveram unidos ao dormir, conseguindo produzir mais calor e sobreviver a mais uma noite.
 Porém, seu sono foi encurtado pelo guincho estridente de dois Gastornis machos que disputavam uma carcaça. Provavelmente morreu de frio, se tornando uma refeição fácil para as aves que acabaram de acordar. O macho se apressou a colocar a cabeça para fora do buraco, olhando por entre as samambaias do chão os dois gigantes duelando, movimentou freneticamente seus bigodes enquanto farejava o ar. 
 A fêmea soltou um leve chiado, cujo macho entendeu e reagiu, retornando à toca improvisada e acariciando a parceira. Alguns segundos depois, o silêncio tomou o ambiente e num lampejo de trabalho em equipe o casal disparou toca afora indo em direção ao seu ninho, aonde os filhotes aguardavam o leite materno. Na pressa, não perceberam que o macho que afugentara o outro ainda se deliciava na carcaça semi congelada - porém, o casal de mamíferos despertou no mostro seus instintos de caçados e este se pôs a trotar atrás dos dois.
 O desespero tomou os dois, que tentaram se separar para evitar o predador ao máximo. O macho continuou sendo perseguido enquanto a fêmea tomava a rota mais curta até o seu ninho, livre da ave caçando-a. Subiu uma árvore com velocidade, cravando suas pequenas garras no tronco, evitando com habilidade o musgo escorregadio. Em um buraco do tronco, estava o ninho feito de pequenos galhos e palha seca, aonde repousavam os três bebês ainda cegos e sem pelos. A mãe os acalmou, dando mordidas em sua pele, liberando feromônios que os faziam perceber que estavam seguros, parando de chorar.
 Porém, quando a fêmea colocou a cabeça para observar, via o progenitor dos filhotes sendo morto pela ave gigantesca, que o agarrava com o bico poderoso e o chacoalhava, eviscerando o pequeno mamífero enquanto ainda estava vivo. Quando se deu por satisfeita e começou a dilacerar a carne, a ave foi interrompida por uma nuvem de poeira e pedras que a soterraram junto da vítima mortal. A fêmea escondeu-se e envolveu os filhotes com seu corpo, evitando maiores danos da tempestade.

Tempos atuais, no atual estado do Wyoming.

 Em uma igreja, um pastor reforça ao seu público mais uma vez em como é importante a ciência andar de mãos dadas com a religião e como é profano dizer que podemos descender de animais "inferiores" durante uma palestra sobre criacionismo. Algumas camadas geológicas abaixo, repousa o esqueleto de uma ave gigantesca abocanhando um pequeno mamífero do Paleoceno que, ironicamente, é o avô2166665 desse pastor."


E você, vai continuar com vergonha dos parentes?


Sobre Arrogância e Protocordados

 Fico pensando em como as pessoas são arrogantes quanto a sua condição de seres humanos. Pensamos que as leis do universo vão servir aos nossos propósitos, ao nosso bel prazer, simplesmente porque achamos que estamos acima do acaso. 

 Nós ficamos tão abismados com a complexidade das nossas conexões sinápticas, nossa capacidade de aprendizado, nossa memória, nossa criatividade a ponto de simplesmente não podermos aceitar que nossa existência não tenha um sentido - é inadmissível pensar que somos uma tribo de macacos jogados à própria sorte em um universo infinito e insensível às nossas preces e vontades. Pensar que não há propósito na vida é desesperador.
 Fora o sentimento de solidão, que em alguns de nós faz apelar para toda a sorte de crenças que possam amenizar a sensação de estar sozinho em um universo infinito. Deuses, fadas e extraterrestres... todos estes nos vêm como contos gerados por uma mente infantil, fértil e desesperada, que espera seus pais celestiais retornarem para lhe trazer sossego.


 Mas, todos esses que perdem tempo pensando em quanto somos especiais e quanto somos diferentes (e melhores) que outros tantos organismos deveriam pensar no quanto nós somos tão especiais e similares a outros organismos. Deveriam pensar nas nossas humildes origens a milhares de milhões de anos atrás, deveríamos pensar em como a vida humana é frágil e em como as bactérias, as plantas, os fungos, os artrópodes, os dinossauros e as aves já foram os grandes donos da terra - agora apenas está sendo nossa vez. Deveríamos, todos nós, pensar no quanto a nossa vida é efêmera demais para se desperdiçar tempo com esse tipo de arrogância.

 E no final, não somos o centro do universo. Perceber isso é terrível na expectativa de algumas pessoas, mas para mim, abre-se uma visão linda e poética do nosso lugar no cosmos: nós estamos dentro do universo, somos parte dele e dividimos os átomos que constroem nosso corpo com os astros que cercam o nosso planeta. Não há forma de se sentir solitário ou sem sentido pensando assim. Não há sensação de abandono paternal ou de injustiça cósmica quando abraçamos o universo pelo que ele realmente é.
 Não há solidão ou arrogância quando entendemos que fazemos parte de um todo, ou melhor,
 do tudo.