Porém, nunca me questionei a debater de forma racional em qual é a influência dos astros em nossas vidas e, por início, tentar compreender se de fato há influência real dos astros na minha vida?
Hoje em dia perdemos grande parte do nosso fascínio pelo céu noturno: nossas cidades são iluminadas durante a noite, nos impedindo de olhar as estrelas como nossos antepassados olharam.
Mas podemos começar a debater pensando reconhecível e sempre presente em nossas vidas: o Sol. O Sol guia o nosso ritmo circadiano, comandando em todos os seres vivos que tem contato com ele uma necessidade de se adaptar perfeitamente ao seu ciclo causado pela rotação da Terra em seu eixo, a rotação da Terra em torno do Sol ocasiona uma menor incidência luminosa em certas regiões do globo, fazendo com que estações mais frias e mais quentes controlem quando e como os seres vivos vão fazer as coisas. E não é mentira, aquela população melhor adaptado aos ritmos constantes do Sol é mais provavelmente o que vai aproveitar mais energia e conseguir uma vantagem sobre outra população menos apta.
Então, de fato, estamos entrelaçados ao Sol em uma relação muito intima. Ele nos dá luz e calor. Permite que as plantas fixem o carbono presente no ar atmosférico para poder fazer seus afazeres de planta, carbono esse que roubamos quando comemos uma planta para fazer nossos afazeres de primatas (ou mesmo dos animais que comemos que se alimentam de plantas) - vivemos graças ao Sol e é irracional dizer que não estamos atrelados a ele em nossos destinos.
Estamos ligados a Lua também. A Lua, assim como o Sol, guia a rotina anual de vários seres vivos devido a sua influência gravitacional nas águas causando marés altas e baixas, moldando os ambientes costeiros e alterando o comportamento normal de peixes e crustáceos dos quais nos alimentamos. Além disso, a Lua reflete parte da luz que recebe do Sol, fazendo com que para nossos antepassados temessem as claras noites de "Lua Cheia" aonde os predadores estariam algozes à espreita.
Por falar nos nossos antepassados, lembra-se quando eu falei que perdemos nosso fascínio porque não podemos ver, de fato, o céu noturno? Imagine um mundo muito antes de qualquer revolução industrial, antes de qualquer iluminação elétrica e até mesmo da domesticação do fogo: nossos antepassados em seus primórdios tiveram o céu só para eles em sua totalidade e esplendor. Com o início de sociedades sedentárias, com a domesticação do fogo era necessário se entender os "movimentos" do céu e para isso os humanos identificavam grupos de estrelas e nomeavam com coisas que estavam presentes em sua cultura, criando um mapa do céu cheio de ursas, pássaros, bodes, plantas, e seres mitológico - um mapa estelar que indicaria através de sua interpretação quando era correto plantar o quê, quando era necessário mover os rebanhos ou se preparar para a estiagem. Vivíamos tão bem graças a essa curiosidade e dependíamos de forma quase transcendental à influência com que a posição daqueles agrupamentos de estrelas no céu noturno.
Ao que parece, é possível perceber que estamos conectados aos ritmos do cosmos e aos movimentos dos astros que estão em torno do nosso planeta, espalhados por todos os cantos do universo. Mas será que devemos prostituir o fascínio e o conhecimento adquirido através das observações cuidadosas daqueles, que muito antes de nós, usavam das estrelas como seu mecanismo de sustento e adoração? Esse conhecimento prova que sim, de forma intrínseca estamos conectados e ligados ao cosmo de várias formas - não só pelos seus ciclos e ritmos, mas também pelos elementos doados por estrelas que se extinguiram a bilhões de anos.
Mas se você quer buscar esse tipo de noção de unidade e conectividade com os astros, não tente ser tão irracional em pensar em predições vagas e ilusórias - pense em quanto do cosmo reside em você e em quanto ele de fato influencia em sua vida, mesmo que de forma mais sutil, aprendendo a novamente conviver e viver melhor conforme se observam os ciclos acontecerem ano após ano.
Assim como nossos antepassados fizeram algum dia, deitados sob um teto de estrelas.
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